Há 10 anos, clima pesado entre Corinthians e São Paulo, como agora, mudou história e abriu caminho para torcida única

COPA DO BRASIL 2009 - TREINO DO SANTOS FC - Neymar (E), jogador do Santos FC, acompanhado do seu pai Neymar da Silva Santos (D), após treino para a partida contra o Rio Branco, válida pela Copa do Brasil 2009. - CT Rei Pelé - Santos - SP - Brasil - 16/03/2009 - Foto: Ricardo Saibun/Gazeta Press

Memória: Há dez anos, passei uma tarde na casa dos Neymar em Santos; e foi uma conversa ‘profética’

 Nas celebrações nas últimas semanas dos dez anos do primeiro jogo e do primeiro gol de Neymar como profissional, me lembrei de outro aniversário. No dia 22 de março de 2009,  um domingo, junto com o colega Ricardo Viel, publiquei na “Folha de S. Paulo” uma longa reportagem com Neymar e seu pai, feita na semana anterior

Nos receberam com imensa cortesia no apartamento que moravam bem ao lado da Vila Belmiro. Repito aqui o texto que escrevi neste blog há dois anos sobre aquele encontro. E o texto parece ainda mais próximo da realidade atua. Leia a seguir:

‘O Neymar joga bola, do resto eu toma conta”: uma conversa ‘profética’, há 8 anos, com o pai de Neymar na cobertura da família.

Foi na cara dura. Eu e um colega da “Folha de S. Paulo’, onde trabalhávamos, resolvemos ir a Santos, em março de 2009, para mostrar quem era o garoto que já começava a encantar o Brasil e sua família. Fomos ao prédio onde morava a família Neymar, uma cobertura, ainda bem longe do luxo em que eles vivem hoje, bem perto da Vila Belmiro. Tocamos o interfone, nos apresentamos e segundos depois fomos autorizados a subir para uma longa conversa com o pai do agora jogador do PSG.

O encontro me vem a cabeça agora pela forma como a imprensa espanhola, alguns com alguma razão e muitos com um rancor exagerado, detonam Neymar pai pela ida do craque para a França. Ele é tratado como o homem que só pensa em dinheiro, que não mostrou consideração alguma com o Barcelonae que manipula o filho em troca de centenas de milhões de reais.

Regado a suco de laranja, a conversa teve “previsões” que não se confirmaram, como “não usar brinco para evitar máscara”, revelações interessantes como ele ter que pedir R$ 10 para comprar um refrigerante na época e uma frase que hoje, mais de oito anos depois, parece profética.

“Para um garoto, você dar um campo, uma bola, é a maior alegria. O Neymar precisa se preocupar só em jogar futebol. Do resto, a gente toma conta”, disse o pai do então garoto que no mesmo dia da entrevista voltou a pé para casa depois de um jogo sem graça do Santos pelo Paulista na Vila Belmiro.

Foi o que aconteceu desde aquele dia até Neymar tomar a decisão de trocar o Barcelona pelo PSG. Neymar pai protegeu o filho de todas as formas, o transformou em uma máquina de ganhar dinheiro com o carisma inigualável do craque, virou seu principal empresário, tomou pancadas no lugar dele e sim, também ganhou muito dinheiro.

Naquele dia, ao voltar para a redação, alguém me perguntou sobre como era o pai de Neymar. Lembro que disse algo como: “esse cara é esperto, com ele o Neymar vai longe”. Só não precisava uma outra frase daquela conversa.

Disse a ele: ‘Hoje o senhor me recebeu aqui, mesmo nem me conhecendo. Quando seu filho for um dos dos melhores jogadores do mundo, não vamos conseguir chegar perto de vocês”. A resposta de Neymar pai: “Isso nunca. A gente não vai mudar. Vamos continuar sendo dessa forma, simples”. Essa previsão ele errou. Chegar perto de Neymar e sua família hoje é para muito poucos. O Barcelona que o diga.

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